Da "Idade da Pedra" a "Tecnologia das Coisas" a queda do patriarcado

 Da "Idade da Pedra" a "Tecnologia das Coisas" a queda do patriarcado

O obscurantismo do patriarcado se apresenta na forma de um gás inebriante que cega o pensamento daqueles cuja tendência, há gerações, denota a perseverança herdada da cultura predominante de que a família depende do homem que a sustenta, e a sustenta a partir do trabalho braçal, seja na cidade ou no campo, o forte, o inquebrantável, aquele que a tudo supera através da força física, aquele que transforma o cuidado em domínio.


 Segundo Reimer (2006, p. 73, 75) o Patriarcado advém do Império Romano, é a macroestrutura dentro da qual se organizava a vida e resiste, até hoje, a partir de microestruturas como; a casa, a comunidade, o trabalho, etc., refletindo a macroestrutura dentro da qual a vida se relacionava socialmente, pautada a partir da subjugação e da dominação patriarcal sejam familiares, sociais ou políticas.

 A imagem do provedor reforçava e, ainda hoje reforça a sociedade patriarcal, na qual a família é mantida por um patriarca; universal, soberano, impositor, dominante, enfim aquele que detém o poder sobre o pensamento, e dita o futuro de todos, sem dúvidas, neste cenário, o homem sustenta a sua prole e engendra o seu futuro a partir da força dos seus músculos que usa ferramentas apenas para alavancar a força física no cumprimento das suas tarefas.

 Segundo Cardoso (2018, p.74), a atividade secundária do cérebro advém das habilidades intuitivas da sua atividade primária, a intuição desenvolve a cognitividade.

Segundo De Souza (2021, p. 1) o cérebro adulto mantém a tendência impressionante de aprender por meio da experiência e, os estímulos na sociedade patriarcal partem de experiências desenvolvidas através das práticas manuais, a grande maioria da força de trabalho ainda depende, majoritariamente, da força das interações primárias do que das secundárias do cérebro,

 


A medida que a “Revolução Industrial” evoluiu, os meios e costumes evoluíram e, apesar ser um tempo no qual as máquinas começaram a ser inseridas nos meios de produção, elas apenas agilizavam o trabalho braçal a moviam e o estereótipo do machão, do homem dominador, ainda prevaleceu durante anos na sociedade, principalmente em países do terceiro mundo. Gaspari (2013, p. 55)

 A sociedade vem tentando se adaptar à velocidade e às influências que os fatores tecnológicos têm exercido no cotidiano dos cidadãos e, mais fortemente no desenvolvimento das atividades nas organizações que se baseavam em tecnologias analógicas, dependente da mão humana, do braço, da força, enfim, do homem forte, do patriarca másculo que não precisa usar o cérebro em sua magnitude criativa em sua amplitude. CIMBALISTA (2002, p.16)

 O impacto que sentimos nos dias de hoje refletem esta época que, além das mudanças nas fábricas ocorridas há época das mudanças nas formas de se produzir, contemplaram mudanças na forma de se gerar o capital e, consequentemente na forma estes movimentos atualizaram as perspectivas do patriarcado  como a estrutura única para uma família ocidental.

 


Estas mudanças ocorrem, lentamente no início e mais céleres atualmente, afetando as famílias a pelo menos, três ou quatro gerações. Nos moldes atuais é influenciada sobremaneira pelos avanços desenvolvidos desde a época da “Terceira Revolução Industrial” que foi pautada por processos transformadores nos quais a indústria iniciou uma escalada modernizadora através da mecanização. CIMBALISTA (2002 p. 16)

Segundo CIMBALISTA (2002, p.15), as descobertas nas áreas de tecnologia de informações e robotização industrial, mudaram o desempenho das atividades do dia-a-dia dos trabalhadores nas organizações, exigindo uma forte e generalizada qualificação educacional e profissional a todos aqueles que pretendem estar dentro dos parâmetros referentes à empregabilidade.

 Esta situação reflete as formas as quais, preponderantemente, as pessoas constroem o seu caminho e se reflete nas posições que certos atores sociais assumem em uma sociedade que afrouxa cada vez mais as amarras dos costumes patriarcais, atuando como integradores em uma sociedade que procura respirar ares mais diversos.

 


Os paradigmas tecnológicos definem as oportunidades de inovações sucessivas em certa direção ou trajetória tecnológica.  Este seria o vetor do progresso técnico e do desenvolvimento econômico a partir da efetivação das mudanças instituídas no sistema produtivo.

  “Com a ascensão da microeletrônica notamos uma reestruturação produtiva no emprego da tecnologia de forma diferenciada que se mostra impactante nas relações sociais atuais, por meio, principalmente, de um menor emprego da força humana aplicada diretamente nos processos produtivos, sendo esta substituída com facilidade pela robótica.”. Paulo (2019, p.55)

 Paralelamente a mudança estrutural advinda da evolução tecnológica acontece a mudança nos paradigmas sociais. O homem absorve os aspectos cognitivos da mudança e o foco migra, lentamente, do trabalho braçal para o trabalho mental. A robótica na indústria, as redes abertas e descentralizadas de informação e comunicação, a internet das coisas no dia a dia muda atua alterando os conceitos sociais em relação ao patriarcado, até então dominante, passando, lentamente, a predominar a diversidade em uma sociedade ainda resistente as mudanças. Jorente (2012 p. 16)

 A família já não depende tanto das mãos fortes do patriarca valendo mais a criatividade cognata dos processos tecnológicos e o contraponto entre o braçal e o tecnológico, ou seja, no campo a colheita automatizada substituiu a manual, na indústria o robô substituiu o operário e, por aí vai.

 


De que forma a sociedade absorve estas mudanças, diariamente os valores têm sido alterados e o machão perde espaço para o técnico, para a inteligência que em mãos menos musculosas agora, programam, conduzem e criam o tecnológico, independente da conotação sexual.






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